Por que as COPs não funcionam

Trinta anos de cúpulas climáticas, milhares de lobistas e emissões em alta: o problema não é apenas diplomático, é sistêmico.

Todos os anos, o mundo se reúne para salvar o clima. Delegações chegam, discursos são pronunciados, declarações são negociadas, câmeras filmam a urgência e o texto final é apresentado como um passo adiante. Depois as emissões continuam a subir, as infraestruturas fósseis continuam a se expandir e o mundo vivo continua a deteriorar-se.

Este é o ritual trágico das COPs.

Seria fácil demais dizer que as COPs não servem absolutamente para nada. Elas produziram conhecimento, pressão, visibilidade, quadros diplomáticos e alguns compromissos reais. Mas, em relação à escala e à velocidade do colapso ecológico, fracassaram. Não transformaram a trajetória da economia mundial.

Uma negociação dentro da máquina de crescimento

A crise climática é tratada como um problema ambiental que deve ser administrado ao lado do desenvolvimento econômico, da competitividade, da segurança energética e dos interesses geopolíticos. Na realidade, é uma crise sistêmica produzida pela própria máquina de crescimento.

Os Estados chegam às COPs com mandatos contraditórios. Devem prometer descarbonização enquanto defendem crescimento nacional. Devem proteger o clima enquanto protegem indústrias, empregos, exportações, receitas fiscais, abastecimento energético e estabilidade financeira.

Essa contradição raramente é assumida. Ela é escondida atrás de uma linguagem técnica: neutralidade carbono, trajetórias de transição, mercados de carbono, finança sustentável, adaptação, contribuições nacionalmente determinadas.

A lobbycracia

A presença de lobistas fósseis, industriais e financeiros nas cúpulas climáticas é frequentemente denunciada como escandalosa. É escandalosa. Mas também é reveladora. Os lobistas não são uma anomalia externa ao processo das COPs; são a expressão visível da estrutura real de poder.

Empresas de energia, bancos, agronegócio, transporte, construção e indústrias extrativas não são atores periféricos. Estão incorporados ao emprego, às receitas públicas, à estratégia geopolítica e aos mercados financeiros. Os Estados dependem deles mesmo quando afirmam regulá-los.

É por isso que a palavra “lobbycracia” importa. O problema não é apenas corrupção. É um regime em que interesses econômicos organizados estão estruturalmente presentes nos espaços onde os limites ecológicos deveriam ser defendidos.

O fracasso dos compromissos voluntários

O quadro das COPs repousa amplamente em compromissos nacionais. Os países anunciam metas, atualizam planos e prometem reduções futuras. Mas esses compromissos são muitas vezes insuficientes, não vinculativos ou dependentes de tecnologias e condições políticas futuras.

A distância entre promessas e realidade é enorme. As metas são adiadas. Os métodos contábeis são ajustados. As compensações substituem reduções. As emissões são terceirizadas por importações. Projetos fósseis continuam sob a linguagem da transição.

A armadilha da contabilidade de carbono

A diplomacia climática reduz frequentemente a crise ecológica à contabilidade de carbono. O carbono é central, claro. Mas o mundo vivo não é apenas um reservatório de carbono. É feito de solos, florestas, oceanos, ciclos da água, espécies, habitats, comunidades e interdependências complexas.

Uma abordagem centrada apenas no carbono pode produzir absurdos. Monoculturas podem ser apresentadas como sumidouros enquanto destroem biodiversidade. Projetos industriais podem ser “compensados” por promessas incertas em outro lugar. Reduções de emissões podem ser reivindicadas enquanto a extração material aumenta.

O problema monetário invisível

As COPs falam de financiamento climático, mas raramente questionam a arquitetura monetária que torna esse financiamento estruturalmente insuficiente. O essencial ecológico depende de orçamentos públicos, dívida, filantropia ou capitais privados em busca de retorno.

Ora, muitas atividades necessárias não são rentáveis. Prevenir uma catástrofe, restaurar um ecossistema, reduzir fluxos, cuidar, proteger água ou organizar resiliência territorial não correspondem facilmente aos critérios de rentabilidade financeira.

Enquanto o financiamento do clima depender de uma economia que precisa crescer para manter receitas, dívida e emprego, as COPs continuarão tentando apagar um incêndio com a mangueira presa à própria máquina que o alimenta.

Por que a diplomacia não basta

A diplomacia pode coordenar. Pode criar normas. Pode produzir pressão simbólica. Mas não pode, sozinha, resolver uma contradição inscrita na arquitetura econômica mundial. Nenhum texto final de COP pode abolir a dependência à dívida, a competição por divisas, a rentabilidade fóssil ou a pressão do crescimento.

É por isso que as COPs parecem avançar e fracassar ao mesmo tempo. Elas melhoram a linguagem da transição sem transformar o motor da destruição.

Uma alternativa estrutural

Levar a sério o clima significa deslocar a pergunta: não apenas “como reduzir emissões?”, mas “que sistema monetário, financeiro e comercial permite reduzir os fluxos destrutivos sem colapso social e financiar o que regenera?”

NEMO IMS inscreve-se nessa mudança. Ele propõe criar moeda para atividades regenerativas e destruir moeda nas atividades degenerativas segundo critérios de impacto. A prioridade deixa de ser convencer o capital a ser virtuoso; passa a ser reorganizar a própria circulação monetária.

As COPs não funcionam porque tentam governar as consequências de um sistema sem mudar o sistema. Enquanto essa contradição permanecer, cada cúpula climática continuará sendo ao mesmo tempo necessária, insuficiente e tragicamente teatral.

Jean-Christophe Duval